Há dias em que grito
e outros em que calo teu nome,
como há noites em que durmo
e outras em que passo insone.
Há dias em que sou minuto
em outros em que sou mais constante,
há uns em que tenho tudo perto
e outros em que estou distante.
Há dias em que sou poeta
e outros em que me faltam os versos,
há os que são feitos de sonhos
e os que são sonhos dispersos.
Há dias em que venço o medo
e outros em que me acovardo e choro,
há os em que dito e imponho
e uns em que somente imploro.
Há dias em que não te vejo
e outros em que viajo em teu abraço,
n'uns sou só vazio,
n'outros sou teu espaço.
Cláudio Correia
junho/1985