(Pego-me te desejando ardentemente...)

Pego-me te desejando ardentemente
em um momento tão puro
ao ponto de ser raro
nas noites em que triste vago
em busca daquele eu contente.

Espalho-me pelos ares da alvorada.
Ah! tantas foram as horas
agora saudosas.
Quantas vezes me despi
em versos e prosas
sem pudor, sem receio
ao olhar da amada.

Meus lábios querem teus beijos doces,
minhas mãos os teus seios brancos
e meus olhos te buscam num vago olhar.
São momentos poucos para desejos tantos
que o mesmo amor também é o mesmo penar
de corações palpitando em delírios e prantos
suspirando com o vento
lagrimando com o mar.

Claudio Correia
11/85




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